Moraes intima Malafaia após denúncia da PGR em ação do comandante do Exército

Silas Malafaia tem prazo de 15 dias para apresentar sua defesa ao STF no âmbito de ação movida pelo general Tomás Paiva


Por Ivan Longo | Revista Fórum

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes intimou o pastor Silas Malafaia a apresentar, no prazo de 15 dias, sua defesa em ação penal que o acusa de calúnia e injúria contra o comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Paiva. A denúncia foi oferecida pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e tem origem em representação apresentada pelo próprio comandante da Força.

O pastor Silas Malafaia - Foto: Reprodução de Vídeo/YouTube

O caso está relacionado a declarações feitas por Malafaia durante uma manifestação bolsonarista realizada em abril de 2025, na avenida Paulista, convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, para pressionar por anistia aos golpistas. No ato, do alto de um carro de som, o pastor atacou o Alto Comando do Exército, em discurso marcado por xingamentos e acusações.

Os ataques de Malafaia

“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, afirmou Malafaia na ocasião.

Para a PGR, as declarações atingiram diretamente a honra e o decoro dos integrantes do Alto Comando, inclusive do comandante do Exército. Segundo Gonet, além das ofensas, Malafaia imputou falsamente aos generais a prática do crime de prevaricação e ainda ampliou o alcance do ataque ao divulgar o discurso nas redes sociais, em publicação que ultrapassou 300 mil visualizações.

A denúncia foi encaminhada ao gabinete de Moraes sob o argumento de que há “estrita conexão entre as condutas denunciadas” e os inquéritos das fake news e das milícias digitais, que investigam a atuação de redes de desinformação e articulações golpistas ligadas ao bolsonarismo.

Mesmo durante o recesso do Judiciário, Moraes determinou, em 20 de dezembro, a notificação do pastor. Malafaia recebeu a intimação três dias depois, em 23 de dezembro. O recesso e as férias coletivas do STF se estendem até o fim de janeiro, período em que apenas casos considerados urgentes são analisados pela presidência ou vice-presidência da Corte.

Malafaia reage com novos ataques

Malafaia reagiu à denúncia com novos ataques às instituições e aos responsáveis pelo processo. O pastor nega ter cometido crime, sustenta que não mencionou o nome de Tomás Paiva e questiona a competência do STF para julgar o caso. “Eu não tenho prerrogativa de função, que me mandasse, então, para a primeira instância”, disse.

Ele também voltou a se colocar como vítima de perseguição política e criticou o enquadramento do caso nos inquéritos que investigam a engrenagem digital do bolsonarismo. “O que tem a ver uma expressão de opinião em uma manifestação com fake news e milícia digital? Isso se chama liberdade de expressão, que Alexandre de Moraes transformou em crime de opinião com esse inquérito imoral e ilegal de fake news. Isso é perseguição política, é conluio”, afirmou.

Em outra reação pública, Malafaia direcionou ataques pessoais ao procurador-geral da República. “Paulo Gonet, você virou capacho subserviente a Alexandre de Moraes. Você envergonha essa instituição honrada, séria, que merece aplauso, que é o Ministério Público Federal. Isso é um absurdo”, disse o pastor.

Contexto golpista e tensão com as Forças Armadas

O episódio se insere em um contexto mais amplo de tensionamento entre lideranças bolsonaristas, setores das Forças Armadas e o Judiciário, intensificado após a tentativa de golpe que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Jair Bolsonaro, que convocou o ato em que Malafaia discursou, foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e está preso desde novembro, na superintendência da PF na capital federal.

A retórica agressiva de Malafaia contra militares de alta patente não é isolada. O pastor já protagonizou embates públicos com o senador Hamilton Mourão, general da reserva e ex-vice-presidente da República, a quem dirigiu novos xingamentos após ser criticado por atacar o Alto Comando do Exército.
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