A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica
Por Anne Silva | Revista Fórum
No final de 2025, o Senado brasileiro aprovou um novo aporte orçamentário de R$ 30 bilhões, a ser distribuído ao longo de seis anos, para financiar projetos estratégicos de Defesa do país, em exceção ao arcabouço fiscal.
![]() |
| Militar brasileiro em blindado. Créditos: Wikimedia commons |
Com um orçamento anual que costuma variar em torno de R$ 120 a R$ 130 bilhões (ou entre 1,1% 1,3% do PIB), o Brasil tem mais de 70% de seu dispêndio com Defesa concentrado em gastos obrigatórios com pessoal e previdência militar, enquanto menos de 10% recebe aplicação em equipamentos e programas de modernização.
A nova proposta, que inclui mais R$ 5 bilhões ao orçamento fora do teto de gastos, vai modernizar as Forças Armadas e busca corrigir o problema de descontinuidade orçamentária dos programas de autonomia tecnológica.
Segundo o Ministério da Defesa, um dos principais destinos da nova rodada de recursos vai ser o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), programa de monitoramento de mais de 16 mil quilômetros das fronteiras terrestres brasileiras que conta com radares, sensores eletro ópticos, drones de monitoramento e centros de comando e controle para comunicações criptografadas.
O programa também auxilia na fiscalização de atividades ilegais, como o garimpo, o tráfico e crimes ambientais nas regiões florestais mais remotas da Amazônia.
O Sisfron deve receber novos drones operados pela Força Aérea Brasileira, os modelos Hermes 450 e 900, fabricados pela israelense Elbit Systems e projetados para atividades de reconhecimento e inteligência em fronteiras, em missões táticas de longa duração.
A Elbit Systems, com sede em Haifa, mantém licitações com o governo brasileiro e é uma das principais fornecedoras de armamentos e equipamentos avançados do país.
Uma das subsidiárias da companhia, a AEL Sistemas, que fornece eletrônicos e aeronaves à Força Aérea (FAB), tem atuação física em Porto Alegre, enquanto a ARES Aeroespacial e Defesa, subsidiária da Elbit no Rio de Janeiro, é especializada na produção de estações de armas remotas e outros equipamentos terrestres com os quais abastece o Exército.
No caso das forças terrestres, o foco da modernização é o principal blindado produzido para transporte de tropas no Brasil, o VBTP Guarani, um 6×6 desenvolvido em parceria com a indústria nacional e projetado para mobilidade em terrenos diversos, equipado com proteção balística e capaz de integrar-se a sistemas digitais.
Outra modernização deve ser o programa ASTROS 2020, sistema de artilharia de foguetes de alta precisão produzido pela Avibras e capaz de operar com mísseis táticos.
O objetivo é aumentar a capacidade de dissuasão do Exército Brasileiro com mísseis que alcançam até 300 km. O shoot-and-scoot (sistema que “atira e sai” rapidamente) brasileiro é considerado um dos sistemas de artilharia mais poderosos de sua geração e, entre 2025 e 2026, com o novo aporte aprovado para a Defesa, o Exército Brasileiro deve reformular o sistema ASTROS com a inclusão de sistemas de IA, mísseis e drones.
De acordo com as Forças Armadas, o Astros deve ser renomeado para “Fogos” e passar por melhorias técnicas, como a junção de três plataformas de lançamento verticais em um único “guarda-chuva”, sistema de direção de tiro superior.
Os blindados brasileiros, como o EE-9 Cascavel, veículo de seis rodas desenvolvido para auxiliar em missões de reconhecimento de terreno, devem passar por melhorias tecnológicas que prolongarão sua vida útil, com novos sensores e sistemas de tiro e comunicações.
Submarino nuclear
Uma das apostas mais ambiciosas das Forças Armadas brasileiras é o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), que inclui quatro submarinos convencionais (da classe Riachuelo) e o primeiro submarino de propulsão nuclear das Américas, SN-10, desenvolvido em parceria com a Itaguaí Construções Navais (ICN).O SN-10 deve entrar em fase final de comissionamento, testes de desempenho, homologação naval e incorporação à frota da Marinha do Brasil entre 2032 e 2034, equipado com armamento ofensivo de alta capacidade, capaz de lançar torpedos pesados, como o franco-brasileiro F21 Artemis, além de mísseis antinavio, como o Exocet SM39, e minas navais.
Um dos elementos centrais do novo aporte é o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e a redução da defasagem do setor.
Como nota à Agência Senado o autor do projeto de lei que viabilizou o novo aporte, Carlos Portinho (PL-RJ), o Brasil já acumula anos de juros do contrato de entrega dos caças Gripen, negociados com a fabricante sueca Saab e a Embraer durante o governo Dilma, por atrasos de pagamento. O valor das perdas, segundo ele, “já equivale ao valor de duas aeronaves” Gripen.
Apesar disso, o primeiro caça F-39E Gripen desenvolvido totalmente em território brasileiro deve ser apresentado pelo presidente Lula nesta quarta-feira (25). Das 36 aeronaves contratadas, 15 terão montagem final em solo brasileiro.
Até então, a Força Aérea Brasileira (FAB) conta com 11 aeronaves F-39 Gripen entregues e em operação ou em fase de testes. As entregas devem se estender até 2032.
Tags
Álvaro Alberto SN-10
Avibras ASTROS
Brasil
Classe Riachuelo
drone
Exército Brasileiro EB
Força Aérea Brasileira FAB Aeronáutica
Guarani VBTP-MR 6×6
Israel
JAS-39 Gripen
Marinha do Brasil MB
Oriente Médio

