Empresas e ativistas cobram milhões em pagamentos atrasados por materiais divulgados para justificar genocídio contra palestinos
Tatiana Carlotti | Opera Mundi
São Paulo - Empresas de comunicação e ativistas que atuaram em ações de propaganda pró-Israel durante a guerra em Gaza estão processando a Diretoria Nacional de Diplomacia Pública, vinculada ao gabinete do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu. Eles afirmam não terem recebido pelo trabalho realizado.
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Empresas e ativistas cobram milhões em pagamentos atrasados por materiais divulgados para justificar genocídio contra palestinos | Reprodução/ Agência Wafa |
A informação é do jornal israelense Calcalist que revela que a soma reivindicada por esses processos atinge milhões de shekels em pagamentos atrasados. Desde o início da guerra, as contratações de empresas privadas para blindar as violações israelenses em Gaza se expandiram frente a ausência de pessoal interno.
Muitos dos contratados não eram funcionários formais do governo e as produtoras privadas serviram para centralizar os pagamentos de influenciadores, ativistas, comentaristas e empresas de comunicação que atuaram no exterior.
As contratações, diz a reportagem, foram feitas de forma improvisada em meio à avalanche das críticas internacionais ao genocídio e às várias violações aos direitos humanos e ao direito internacional, perpetradas por Israel durante o enclave.
Milhões de shekels
Segundo a reportagem, duas produtoras privadas reivindicam cerca de 2 milhões de shekels (US$ 650 mil) em pagamentos atrasados. Uma delas disponibilizou um estúdio exclusivo para entrevistas de Netanyahu e do então ministro da Defesa Yoav Gallant, e agora cobra mais de 500 mil shekels (US$ 160 mil) por serviços não pagos.A outra empresa, Intellect Production and Publishing Group, reivindica mais de 1,5 milhão de shekels (aproximadamente US$ 487 mil), alegando ter financiado viagens de influenciadores para Haia, no intuito de neutralizar manifestações pró-Palestina durante as audiências na Corte Internacional de Justiça (CIJ).
Até mesmo o ex-porta-voz do governo israelense, Eylon Levy, um britânico-israelense que ocupou o cargo oficial até março de 2024, ficou sem receber. Ele não aderiu ao processo.
Outros ministérios
Além da Diretoria Nacional de Diplomacia Pública, outros órgãos do governo, como o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Diáspora, injetaram recursos ao orçamento pré-existente de 520 milhões de shekels (US$ 170 milhões) para fazer campanhas internacionais.Como aponta a reportagem, em setembro de 2024, foi aprovado um orçamento adicional de 150 milhões de shekels (US$ 49 milhões) pelo Ministério das Relações Exteriores. No mesmo período, foi criada uma diretoria de diplomacia para o recrutamento de blogueiros e influenciadores digitais.
Em junho de 2024, o Ministério de Assuntos da Diáspora realizou uma campanha nas universidades norte-americanas visando influenciar debates legislativos sobre a definição de antissemitismo. No ano seguinte, em maio de 2025, o mesmo Ministério chegou a oferecer até um milhão de shekels (US$ 325 mil) a municípios localizados em assentamentos israelenses visando campanhas dentro e fora do país.

