O Irã diz que não vai negociar com os EUA, promete continuar se defendendo

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, diz que ninguém pode confiar na diplomacia dos EUA após a agressão contra o Irã durante as negociações.


PressTV

Durante uma entrevista ao veículo India Today na quarta-feira, Baghaei disse que a agressão israelense-americana contra o Irã durante as negociações indiretas foi uma "traição à diplomacia".

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei (foto de arquivo)

Os EUA iniciaram negociações com o Irã duas vezes, e em ambas as vezes atacaram o Irã, acrescentou.

"Deixamos claro ontem que não há conversas ou negociações entre Irã e EUA. "Tivemos uma experiência muito catastrófica, devo dizer, da diplomacia dos EUA", disse ele.

"Fomos atacados duas vezes em um período de nove meses, quando estávamos no meio de um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Então isso foi uma traição à diplomacia", afirmou.

Baghaei rejeitou a alegação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que Washington e Teerã entraram em negociações de cessar-fogo.

"Não houve contato entre Irã e EUA nos últimos 24 dias, e as forças armadas iranianas continuam defendendo a integridade territorial do país."

Segundo o porta-voz, o Irã recebeu pedidos nos últimos dias de vários países oferecendo mediação de negociações entre Teerã e Washington.

"Não posso negar o fato de que muitos países da região e além abordaram o Irã com ofertas para atuar como mediadores nas negociações entre Irã e Estados Unidos.

"Essas mensagens vêm chegando há vários dias. Recebemos solicitações sobre essas negociações e respondemos a elas. Nossa posição é clara: continuamos a nos defender", disse Baghaei.

Ele acrescentou que as declarações dos EUA e de Israel sobre intenções de realizar negociações com o Irã não são confiáveis, já que eles iniciaram a guerra terrorista em Teerã.

Falando sobre as reuniões do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, com seus homólogos de países vizinhos, incluindo o Paquistão, Baghaei enfatizou que vê intenções amistosas dos vizinhos de desescalar a região.

"O Paquistão é, claro, nosso vizinho. Temos boas relações com o Paquistão, assim como com outros vizinhos. Acreditamos que eles têm boas intenções. Nosso ministro das Relações Exteriores mantém contato com seus equivalentes de países vizinhos.

"Tais conversas são realizadas entre o Irã, seus vizinhos e outros países aliados. Entendemos que os estados da região e os países vizinhos estão preocupados com as consequências, e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a aliviar a situação", acrescentou Baghaei.

Baghaei também afirmou que o Irã continuará "absolutamente" cobrando taxas de países e embarcações pela passagem segura pelo Estreito de Ormuz, já que a principal rota marítima continua fortemente restrita.

"Uma série de medidas está em andamento para a passagem pelo Estreito de Ormuz devido à situação de guerra imposta ao Irã", disse ele na entrevista.

Em uma declaração anterior na segunda-feira, Baghaei enfatizou que a República Islâmica não teve contato com Washington desde o início da guerra conjunta de agressão entre EUA e Israel, nem mudou sua posição sobre o Estreito de Ormuz e as condições para encerrar a guerra imposta.

Ele afirmou que mensagens de alguns países amigos foram recebidas, nos últimos dias, solicitando negociações dos EUA para encerrar a guerra, às quais o Irã respondeu de forma adequada e em conformidade com seus princípios.

Nessas respostas, ele acrescentou que os avisos necessários foram dados sobre as graves consequências de qualquer ataque à infraestrutura crítica do Irã, e que tal cenário resultaria em uma resposta decisiva, imediata e eficaz das forças armadas iranianas.

Em 28 de fevereiro, os EUA e Israel lançaram uma ofensiva militar ilegal que incluiu o assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e de vários comandantes seniores.

Em resposta, o Irã realizou ondas de ataques de mísseis e drones de retaliação contra interesses dos EUA em toda a Ásia Ocidental e posições israelenses nos territórios ocupados.
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