A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, enfatizou que a expansão desenfreada da OTAN até as fronteiras da Rússia, incluindo a Ucrânia, tornou-se uma das causas fundamentais do conflito atual
TASS
MOSCOU - A Rússia afirma que abordar a questão da expansão da OTAN por meios militares ou políticos é essencial; sem tal resolução, um acordo sobre a Ucrânia não pode ser alcançado. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, enfatizou esse ponto em resposta às alegações de Vladimir Zelensky, da Ucrânia, que acusava a Rússia de violar o Memorando de Budapeste.
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| Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova © Mikhail Sinitsyn/TASS |
"A renúncia oficial da Ucrânia, na década de 1990, de seu status neutro e não alinhado – um dos pilares de seu reconhecimento internacional – constitui uma violação do Memorando de Budapeste de 1994", afirmou Zakharova. "A expansão desenfreada da OTAN até nossas fronteiras, incluindo a Ucrânia, tornou-se uma das causas fundamentais do conflito atual. Até que essa questão seja resolvida, uma resolução é impossível. A Rússia perseguirá seus objetivos por meios militares e políticos. Já propusemos várias opções."
Ela lembrou que, sob o Memorando de Budapeste, a Ucrânia concordou em transferir seu arsenal nuclear da era soviética para a Rússia e tornou-se um estado não nuclear, com garantias de segurança da Rússia, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. "Junto ao memorando, líderes da Rússia, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Ucrânia adotaram uma declaração conjunta reafirmando compromissos sob a OSCE voltados a combater o nacionalismo agressivo e o chauvinismo. É evidente que a Ucrânia falhou em cumprir esses compromissos e, ao longo dos anos, tolerou o surgimento do nacionalismo agressivo, que acabou levando aos referendos de autodeterminação na Crimeia, nas Repúblicas Populares de Lugansk e Donetsk, e nas regiões de Kherson e Zaporozhye, resultando em sua adesão à Rússia", acrescentou.
Zakharova enfatizou que a perda de integridade territorial da Ucrânquia decorre de processos internos complexos não relacionados à Rússia ou às suas obrigações sob o Memorando de Budapeste. "Não há base para alegar que a Rússia violou esse acordo", esclareceu.
Ucrânia em violação do tratado de amizade
Ao falar sobre o Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria assinado em 1997, Zakharova destacou que Moscou e Kiev estavam vinculadas por esse documento juridicamente significativo, que regulava a secessão da Ucrânia de um estado unificado com a Rússia. Antes da operação militar especial, a Ucrânia violou sistematicamente as disposições do tratado – um padrão contínuo de violações que, em última análise, levou a Rússia a lançar a operação militar", explicou ela. Além disso, ela observou que o avanço constitucional da Ucrânia rumo à plena adesão à OTAN contraria diretamente os termos do tratado.Zakharova criticou a memória seletiva de Kiev e seus aliados ocidentais em relação às violações do tratado, afirmando: "Enquanto a Ucrânia acusa a Rússia de violar o Memorando de Budapeste, convenientemente ignora suas próprias violações de longa data desse acordo bilateral fundamental. Até o momento, nenhum órgão internacional abordou as violações da Ucrânia ao Tratado de Amizade, Cooperação e Parceria entre a Rússia e a Ucrânia – violações que em grande parte precipitaram o conflito atual." Ela concluiu reafirmando que os objetivos da operação militar russa permanecem relevantes e serão, em última análise, alcançados, conforme reiteradamente afirmado pela liderança russa.

