Para Dmitry Medvedev, um dos aliados mais próximos de Vladimir Putin, 'ninguém realmente queria negociar nada'
Por Caio Saad | Veja
Ex-presidente e ex-premiê da Rússia, atualmente vice do poderoso Conselho de Segurança russo, Dmitry Medvedev criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado, 28, após ataques americanos e israelenses contra o Irã.
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| Dmitry Medvedev, em reunião sobre o complexo militar-industrial no Kremlin, em Moscou, Rússia. 20/09/2022 (Contributor/Getty Images) |
“O pacificador mostrou mais uma vez a sua verdadeira face”, disse Medvedev, um dos aliados mais próximos de Vladimir Putin, em referência às declarações de Trump de que ele teria encerrado guerras — ao mesmo tempo em que promove operações no Oriente Médio e no Caribe, à exemplo da invasão à Venezuela. “Todas as negociações com o Irã eram fachada. Ninguém duvidava disso. Ninguém realmente queria negociar nada”.
Em publicação no X, antigo Twitter, o político ponderou ainda que “a questão é quem tem mais paciência para esperar pelo fim inglório do seu inimigo”.
“Os EUA têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2.500 anos. Vamos ver daqui a 100 anos…”, disse.
O ataque ao Irã na madrugada deste sábado foi uma ação coordenada dos EUA com Israel, país próximo, que é inimigo histórico do regime dos aiatolás que comandam o país persa. Trump confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.
Em resposta, o Irã lançou um ataque a instalações militares americanas no Bahrein, no Kuwait e no Catar. O regime também lançou mísseis e drones contra Israel. Ainda não há informações sobre possíveis danos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou a retaliação, afirmando que o país “não hesitará” em sua resposta. “Chegou a hora de defender a pátria e enfrentar o ataque militar do inimigo”, publicou o ministério em comunicado na rede social X. “Assim como estávamos preparados para negociações, estivemos ainda mais preparados para a defesa em todos os momentos. As forças armadas da República Islâmica do Irã responderão de forma decisiva aos agressores, com plena autoridade.”
Negociações fracassadas
O ataque deste sábado ocorre após o fracasso da última rodada de negociações entre EUA e Irã, vista como a possível última saída diplomática. Sobre o tema, Trump afirmou: “sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que esse regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”.
Em sequência, o presidente citou a guerra de junho de 2025, quando os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Israel e Irã.
Na quinta-feira, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano.
Em relatório reservado a seus 35 Estados-membros, a agência Internacional de Energia Atômica afirmou que o Irã estocou parte de seu urânio altamente enriquecido em uma área subterrânea do complexo nuclear de Isfahan, no centro do país. É a primeira vez que o órgão vinculado à ONU especifica o local onde o material com grau de pureza de até 60% estaria guardado. O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de enriquecimento considerados necessários para a produção de uma arma nuclear.
A tensão em torno do programa nuclear iraniano se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global, que impunha limites rígidos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções. Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Ao mesmo tempo em que o campo diplomático encontrava dificuldades para avançar, os EUA seguiam acumulando poderio bélico ao redor do Irã. Na quarta-feira, 25, Washington enviou uma dúzia de caças F-22 para a região, que já contava com dois porta-aviões, 12 contratorpedeiros e três embarcações de combate.
Ao todo, os EUA reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a invasão ao Iraque, em 2003.
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