O Ministro da Defesa acionou a proibição porque não houve consulta prévia, conforme exigido por acordos internacionais.
Por Fiorenza Sarzanini | Corriere Della Sera
A Itália negou aos Estados Unidos a base de Sigonella. Aconteceu algumas noites atrás, mas a notícia foi mantida confidencial. Foi o Chefe do Estado-Maior da Defesa, Luciano Portolano, quem ligou para o Ministro da Defesa, Guido Crosetto, para informá-lo do que acabara de acontecer e tomar uma decisão que inevitavelmente afeta as relações entre Itália e Estados Unidos.
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"A Itália age em conformidade com os acordos internacionais em vigor e as diretrizes expressas pelo governo às Câmaras", esclarece o Palazzo Chigi em uma nota. "A linha do executivo é clara, consistente e já totalmente compartilhada com o Parlamento, sem quaisquer mudanças. Cada pedido é cuidadosamente examinado, caso a caso". A orientação, portanto, não muda "em relação à vontade do governo e do Parlamento, garantindo a confiabilidade internacional e a plena proteção do interesse nacional". E sobre as possíveis implicações diplomáticas, o Palazzo Chigi afirma que "não há questões críticas ou atritos com parceiros internacionais. As relações com os Estados Unidos, em particular, são sólidas e marcadas por colaboração plena e leal."
"Alguém está tentando passar a mensagem de que a Itália decidiu suspender o uso de bases para ativos dos EUA. O que é simplesmente falso, porque as bases estão ativas, em uso e nada mudou": Crosetto acrescentou com uma postagem nas redes sociais X. E então acrescentou: "Quero reiterar que não há resfriamento ou tensão com os Estados Unidos, porque eles conhecem as regras que regem sua presença na Itália desde 1954 tão bem quanto nós as conhecemos." O Ministro da Defesa aborda o mérito: "Acordos internacionais regulam e distinguem claramente o que requer autorização específica do governo, para a qual foi decidido sempre envolver o Parlamento, na ausência da qual não é possível conceder nada, e o que é considerado tecnicamente autorizado porque está incluído nos acordos. Um ministro só precisa fazê-los respeitar. Tertium non datur".
Bombardeiros já em voo
Portolano foi informado pelo Estado-Maior da Força Aérea que o plano de voo de alguns bombardeiros americanos era pousar em Sigonella e depois partir para o Oriente Médio. No entanto, ninguém havia solicitado autorização ou consultado a liderança militar italiana. O plano foi, de fato, comunicado enquanto os aviões já estavam em voo.As primeiras verificações confirmaram que esses não eram voos normais ou logísticos e, portanto, eram tipos de voos que não estão incluídosno tratado com nosso país.
Foi o próprio Crosetto, no Parlamento, quem declarou: "Qualquer operação que não se enquadre nos tratados e, portanto, deva ser autorizada, comprometemo-nos a fazê-la aprovar no Parlamento". O mesmo ministro que, em todas as ocasiões de risco ou ataque para nossos soldados, sempre informou a oposição em tempo real.
Portanto, não havia dúvidas sobre o que fazer, já que nenhuma autorização foi solicitada. Também porque os aviões indicados no
Plano de Voo têm a chamada "ressalva" e não podem pousar a menos que haja emergências.
Nesse momento, foi Portolano – por mandato direto do ministro – quem informou o Comando dos EUA sobre a decisão tomada: esses aviões não poderiam pousar em Sigonella porque não haviam sido autorizados e porque não havia consultas prévias. E, portanto, a proibição foi acionada. Levando em conta o risco de uma crise diplomática, como aconteceu em 1985, quando havia o governo Craxi na Itália e o presidente dos Estados Unidos era Ronald Reagan.
As reações
A notícia do não do governo ao desembarque dos bombardeiros americanos em Sigonella provocou reações políticas imediatas. A decisão do ministro Crosetto "é um fato relevante e correto", mas "permanece um quadro extremamente opaco e preocupante". Por essa razão, é "necessário e urgente que o governo reporte ao Parlamento", diz Anthony Barbagallo, deputado do Partido Democrata. Giuseppe Conte, líder do M5S, fala em vez de um "ato devido imposto pela nossa Constituição". E ele insiste: "Agora o governo deve ir além: também deve negar o apoio logístico oferecido por nossas bases."Angelo Bonelli é ainda mais categórico: "Adotando uma posição clara e firme, e marcando distância das políticas desse valentão do planeta, como Donald Trump, acha que pode governar o mundo por supremacia militar", diz o líder da AVS no Coffee Break na La7. "Meloni pagou por sua absurda proximidade com Trump - acrescenta Carlo Calenda - e espero" que o resultado do referendo "marque um ponto de virada" para a "construção de uma Europa cada vez mais forte", diz o secretário da Azione.
"Na minha opinião, ele fez a coisa certa": é assim que o presidente do Futuro Nazionale, Roberto Vannacci, comenta a decisão do executivo. Existe um tratado com os Estados Unidos sobre o uso de bases, que estabelece regras precisas: entre elas, não há possibilidade de pousar ou reiniciar bombardeiros", esclarece Raffaele Nevi, porta-voz da Forza Italia. "Quando você faz escolhas dessa magnitude", continuou, "você assume a responsabilidade, mas também demonstra a capacidade de manter uma linha consistente", acrescenta. "A Itália não está em guerra com o Irã e não quer se juntar a ele, e é correto que qualquer decisão que derroge os tratados em vigor seja aprovada pelo Parlamento", resume o presidente do Noi Moderate, Maurizio Lupi.

