Caça multimissão da FAB representa dissuasão, tecnologia, renovação e, principalmente, um legado que impacta positivamente todo o Brasil, a partir do fortalecimento da indústria nacional
Por Tenente Kelly | Agência Força Aérea
O dia 25 de março ficará marcado na história do Brasil, da Base Industrial de Defesa (BID) e também da Força Aérea Brasileira (FAB). Nesta data, o primeiro caça F-39 Gripen fabricado em solo nacional será apresentado, consolidando o país como polo de alta tecnologia em defesa. Mais do que a incorporação de um caça de última geração, a entrega simboliza o fortalecimento da indústria e a construção de um legado que ultrapassa os limites da aviação militar, instaurando uma nova era: a do Brasil supersônico.
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| Arte: CECOMSAER. |
Para a FAB, o Gripen representa o estado da arte no cumprimento da missão, reafirmando palavras como dissuasão e inovação. Para a indústria nacional, é motor de desenvolvimento, já que impacta na geração de emprego e renda, capacitação de mão de obra e transferência de tecnologia.
Ao todo, 63 projetos de offset integram o Projeto F-X2. Na prática, isso significa que o contrato, firmado há pouco mais de uma década entre a FAB e a SAAB – empresa responsável pela fabricação do caça, já resultou no treinamento de 350 engenheiros brasileiros na Suécia, mais de dois mil empregos diretos e dez mil indiretos, além da criação de produtos inovadores associados à aeronave. Cerca de 70% dos créditos de compensação já foram reconhecidos, consolidando ganhos financeiros e tecnológicos para o Brasil.
Hoje, empresas nacionais envolvidas no projeto estão aptas a realizar desde manutenções essenciais até a produção de partes da fuselagem e sistemas da aeronave, impulsionando inovações que levam o conhecimento brasileiro para todo mundo. Segundo o Major-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), o F-X2 vai muito além da aquisição de caças para a FAB. “A Embraer é responsável pela montagem final de 15 aeronaves. A AEL Sistemas produz três dos principais sistemas aviônicos, todos de altíssima complexidade. A Saab Brasil fabrica partes da aeroestrutura e a Atech contribui com o desenvolvimento das estações de planejamento de missão e simuladores de voo. Já a Akaer atua em engenharia de estruturas, desenvolvendo seções da fuselagem e asas”, detalha.
Assim, cada F-39 Gripen que entra em operação no Brasil carrega, além de dissuasão e defesa, investimento em soberania, em tecnologia e na indústria nacional. O presidente da COPAC ainda enfatiza que a produção local de uma aeronave de combate de última geração coloca o Brasil em um patamar de destaque no cenário da aviação militar mundial, insere a indústria nacional em uma cadeia de valor extremamente sofisticada e gera empregos qualificados. “É um passo fundamental para consolidar o Brasil como um polo de alta tecnologia no setor aeronáutico de defesa”, complementa.

