O primeiro-ministro japonês pode enfrentar ainda mais pressão de Trump para agir quando se encontrarem na Casa Branca, com o Japão dependendo do Oriente Médio para cerca de 90% de seu petróleo.
Por Sakura Murakami | Bloomberg
O ministro da Defesa do Japão disse que o país atualmente não tem planos de enviar navios de guerra ao Estreito de Ormuz após o presidente dos EUA, Donald Trump, pressionar Tóquio para que isso acontecesse antes de uma reunião de cúpula com a primeira-ministra Sanae Takaichi no final desta semana.
"O mais importante é direcionar nossos esforços, incluindo nossos esforços diplomáticos, para acalmar a situação", disse o ministro da Defesa Shinjiro Koizumi no parlamento na segunda-feira, após uma ligação telefônica durante a noite com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
Takaichi reforçou essa mensagem, dizendo que pretendia discutir o assunto com Trump com esse objetivo durante suas conversas com o presidente em Washington.
O primeiro-ministro japonês pode enfrentar mais pressão de Trump para agir quando se encontrarem na Casa Branca. A exigência colocou Takaichi em uma posição delicada, enquanto ela considera as implicações legais e políticas de enviar navios, tentando evitar que a exigência de Trump ofusque suas primeiras negociações de cúpula com ele em Washington.
O Japão depende do Oriente Médio para cerca de 90% de seu petróleo, tornando-se um ator no conflito, além de ter leis rigorosas que o proíbem de se envolver em conflitos ativos, a menos que sua própria existência seja considerada ameaçada.
Koizumi afirmou que, de modo geral, é possível conduzir uma operação de segurança marítima com navios da Força de Autodefesa em circunstâncias especiais onde navios japoneses precisam de proteção, vidas ou bens japoneses estão em risco, ou há necessidade de manter a estabilidade. Mas Koizumi recusou-se a comentar se a situação atual no Irã justificava tal missão.
"Vou me abster de responder à pergunta hipotética de se as SDF podem tomar tal ação, dado que a situação no Irã está mudando minuto a minuto, momento a momento", disse ele.
O Japão tem uma constituição pacifista que limita estritamente o uso da força pelo país à autodefesa. Reinterpretações e ajustes no arcabouço legal ao longo das últimas décadas baixaram o padrão para alguns desses limites, mas o limiar para envolvimento em um conflito ativo no qual o Japão não está diretamente sob ataque permanece alto.
O chefe de políticas do Partido Liberal Democrata, Takayuki Kobayashi, minimizou no domingo as chances de que o Japão envie navios de guerra para garantir o Estreito de Ormuz em breve, dizendo que seria uma decisão "desafiadora" que enfrentaria grandes obstáculos.
"Acho que essa é uma decisão que deve ser tomada com muito cuidado, dado o conflito em andamento", disse Kobayashi.
O primeiro destacamento militar do Japão no exterior desde a Segunda Guerra Mundial foi o envio de seis navios varredores de minas para o Golfo Pérsico em abril de 1991. Isso aconteceu mais de um mês depois que os EUA encerraram suas operações durante a Tempestade no Deserto, que encerraram a Guerra do Golfo.
Na semana passada, Takaichi disse que o Japão não planejava enviar varredores de minas para o Oriente Médio, dado que o conflito está em andamento.
Na ligação telefônica entre Hegseth e Koizumi na noite de domingo, o secretário de defesa dos EUA forneceu uma atualização sobre as últimas novidades no Oriente Médio e falou sobre as perspectivas, segundo um comunicato divulgado pelo Ministério da Defesa do Japão. Koizumi buscou continuar se comunicando com os EUA e outros países relacionados sobre o assunto, disse o comunicado.
Hegseth também disse que "a situação no Oriente Médio não é algo que mude a postura das forças armadas dos EUA no Japão, e que eles continuarão totalmente preparados", segundo o comunicado.
A garantia surge em meio a preocupações sobre se mais poder de fogo dos EUA será direcionado para o Oriente Médio para operações militares contra o Irã caso a guerra se arraste.
— Com a ajuda de Kyoko Shimodoi


O desespero de Trump está tomando enorme tamanho, chegando a ameaçar "parceiros" caso não ajudem o "maior e mais poderoso exército do mundo" que está levando uma surra do Irã. Mesmo erro que os EUA cometeram ao dar golpe de estado na Ucrânia acreditando que a Rússia não cumpriria os avisos dados desde 1991.
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