Pedro Sánchez declara "não à guerra" e critica violação do direito internacional no Médio Oriente

Espanha está a estudar medidas para apoiar cidadãos espanhóis na região e empresas afetadas por possíveis sanções comerciais de Trump


Mariana Rebocho e João Pedro Barros | Expresso

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, reafirmou a oposição à intervenção militar dos EUA e de Israel no Irão, no dia seguinte a Donald Trump ter ameaçado um boicote comercial ao país: “Não à violação do direito internacional. Não a aceitar que o mundo só pode resolver os seus problemas através de conflitos e bombas. E, finalmente, não a repetir os erros do passado. Em suma, a posição do Governo de Espanha resume‑se em quatro palavras: Não à guerra”, afirmou.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez | MONCLOA PRESIDENTIAL PALACE HANDOUT

Durante o discurso desta quarta-feira, na residência oficial do primeiro-ministro, o Palácio da Moncloa, em Madrid - sem direito a perguntas da imprensa -, Sánchez aludiu à guerra no Iraque, que se iniciou em 2003 e que Espanha então apoiou, mas cujos pressupostos (a existência de armas de destruição maciça por parte do regime de Saddam Hussein) não se confirmaram, prometendo não repetir esse "erro". Aludiu, aliás, à cimeira dos Açores que firmou a coligação para esse conflito, com a presença dos líderes de EUA, Reino Unido e Espanha (George W. Bush, Tony Blair e José María Aznar), com Durão Barroso, então primeiro-ministro de Portugal, como anfitrião.

“[A insegurança internacional] foi o presente do trio dos Açores, um mundo mais inseguro e uma vida pior. (...) Queremos apostar no diálogo e na diplomacia e agora defender os mesmos valores que defendemos na Ucrânia e Gaza. (...) Espanha não está do lado do regime dos aiatolas, mas do direito internacional", reforçou. Recorde-se que Espanha recusou conceder aos Estados Unidos a permissão para usar as bases militares nos ataques contra o Irão.

“É ingénuo pensar que as democracias ou o respeito entre nações nascem das ruínas. Ou pensar que praticar um seguidismo cego e servil é uma forma de liderar o outro. Eu considero que esta posição não é, de todo, ingénua — é coerente — e, por isso, não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e que também contraria os nossos valores e interesses, apenas por medo de represálias de alguém. Porque temos uma confiança absoluta na força económica, institucional e, diria também, moral do nosso país. E porque, em momentos como este, nos sentimos mais orgulhosos do que nunca por sermos espanhóis”, declarou, numa clara resposta à Casa Branca.

Ajudas para empresas com a crise à vista

O primeiro-ministro exigiu que os EUA, Israel e Irão cessem as hostilidades iniciadas no sábado com os ataques aéreos americanos e israelitas "antes que seja demasiado tarde". "Esta crise afeta-nos a todos, e exigimos total determinação dos EUA, do Irão e de Israel para pará-la", afirmou.

Deixou ainda críticas aos líderes do países que iniciaram o conflito: “É inaceitável que alguns presidentes usem a cortina de fumo da guerra para disfarçar os seus fracassos e enriquecer os mesmos de sempre, aqueles que lucram quando mísseis são construídos em vez de hospitais.”

Sánchez explicou ainda que o Governo vai ajudar no regresso de todos os cidadãos espanhóis retidos no Médio Oriente. Face a possível crise que se aproxima, indicou que está a estudar várias medidas para ajudar comerciantes e empresas e que Espanha tem recursos para fazer face às consequências económicas da guerra.

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