Presidentes dos dois países trocam acusações sobre bombardeio em área de fronteira. Episódio ocorre em meio a ofensiva contra o narcotráfico e disputa comercial.
Por Redação g1
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sugeriu na segunda-feira (16) que o Equador realizou um bombardeio em território colombiano, próximo à fronteira entre os dois países. Segundo ele, uma bomba não detonada foi encontrada perto da casa de uma família rural.
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| Tensões entre Colômbia e Equador — Foto: Alberto Correa/Arte g1 |
Ainda falando sobre o incidente, na terça-feira (17), Petro usou uma rede social para afirmar que 27 corpos foram encontrados carbonizados na região de fronteira. Ele não deu mais detalhes sobre o episódio.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, negou que tenha ordenado um bombardeio contra a Colômbia. Em uma rede social, ele afirmou que o país está realizando ataques contra grupos criminosos, mas apenas dentro do próprio território.
Petro, no entanto, voltou a afirmar nesta quarta-feira que a bomba na região da fronteira pertence ao Exército equatoriano.
O caso ocorre em meio a uma escalada de tensões entre os dois países, que também inclui uma disputa comercial.
1. Onde foi o bombardeio?
Segundo o governo colombiano, o ataque ocorreu próximo à cidade de Ipiales, no sul do país, a poucos metros da fronteira com o Equador.Moradores da região afirmaram que aviões teriam lançado bombas do lado equatoriano. Parte dos artefatos teria caído no território colombiano.
À AFP, o camponês Julián Imbacuán disse que um explosivo caiu a cerca de 60 metros da casa dele, no povoado de El Amarradero. Segundo ele, o suposto ataque aconteceu no dia 3 de março.
"Chegaram uns três aviões, mais ou menos, do lado do Equador, e soltaram esses artefatos, e alguns conseguiram sim explodir, mas do lado do Equador", contou.
"Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas."
Imagens divulgadas mostram o explosivo em meio a plantações e uma cratera próxima. O governo pediu que moradores se afastem da área.
2. Quantas pessoas morreram?
O presidente Gustavo Petro afirmou que 27 corpos foram encontrados carbonizados na região.Até o momento, não há confirmação oficial sobre a identidade das vítimas nem sobre as circunstâncias das mortes. Também não está claro se todas as mortes ocorreram no mesmo incidente.
O g1 enviou questionamentos ao governo colombiano sobre o caso, incluindo dúvidas sobre as vítimas, a data do ataque e a relação entre a bomba encontrada e os corpos. Não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
3. O que se sabe sobre a bomba encontrada?
Segundo o governo colombiano, a bomba encontrada tem cerca de 250 kg e não foi detonada. Imagens mostram que o explosivo tem inscrições em inglês.De acordo com especialistas ouvidos pela AFP, o artefato que aparece nas fotos seria uma bomba de queda livre do tipo MK, que não é guiada e cai por gravidade. Esse tipo de armamento é geralmente fabricado no Brasil e nos Estados Unidos.
Na madrugada desta quarta-feira (18), Gustavo Petro publicou nas redes sociais que a investigação confirmou que a bomba pertence ao exército equatoriano e prometeu uma nota diplomática de protesto.
4. O que disseram Colômbia e Equador?
Petro afirmou que a Colômbia foi alvo de um ataque a partir do Equador e disse que os bombardeios não foram realizados por grupos armados ilegais. Em reunião com ministros, declarou que pediu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intervir no caso."Pedi que ligue para o presidente do Equador porque nós não queremos entrar em uma guerra", afirmou.
Segundo Petro, bombas caíram perto de casas de famílias que substituíram cultivos de coca por produtos legais, como café e cacau. O presidente chegou a divulgar uma foto dos chocolates produzidos por essas comunidades.
Já Noboa classificou as acusações como falsas. Ele disse que o Equador combate grupos criminosos e que os bombardeios fazem parte dessa ofensiva, mas apenas dentro do território equatoriano.
O presidente equatoriano também acusou a Colômbia de falhar no controle da fronteira, permitindo a entrada de grupos criminosos no país.
"Hoje, com apoio da cooperação internacional, seguimos nessa luta, bombardeando locais que serviam de esconderijo para esses grupos, em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem no Equador por descuido na fronteira", publicou em uma rede social.
5. O que está por trás da crise?
A tensão entre os dois países vem aumentando desde fevereiro, quando o Equador impôs tarifas sobre produtos colombianos. A Colômbia respondeu com medidas semelhantes.Além da disputa comercial, há divergências sobre o combate ao narcotráfico na região de fronteira, onde atuam guerrilhas e organizações criminosas.
O Equador iniciou uma ofensiva militar recente contra esses grupos, com apoio dos Estados Unidos e mobilização de milhares de soldados.

