Através de investimento público e pesquisa, este setor viu exportações crescerem 74% em 2025
Por Yuri Ferreira | Revista Fórum
A indústria brasileira de defesa registrou avanço significativo nas exportações em 2024, totalizando US$ 3,1 bilhões, resultado 74% superior ao do ano anterior.
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| Embraer é uma das principais empresas da BID | Wellington Simo | Crédito: Força Aérea Brasileira |
O crescimento foi impulsionado pela demanda internacional e por ações de promoção e articulação conduzidas pelo Ministério da Defesa, por meio da Secretaria de Produtos de Defesa (SEPROD) e do Departamento de Promoção Comercial (DEPCOM), além da atuação conjunta da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
Os órgãos envolvidos trabalham para ampliar a inserção do setor em mercados estrangeiros, simplificar processos regulatórios e fortalecer a presença da Base Industrial de Defesa (BID) em cadeias globais de valor.
Segundo dados do setor, a BID representa cerca de 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB) e responde por aproximadamente 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos. As empresas variam de grandes integradoras a centros de pesquisa e desenvolvimento.
Embora o investimento público em defesa represente menos de 1% do PIB brasileiro, políticas voltadas à inovação permitiram avanços tecnológicos e maior valor agregado aos produtos exportados.
A modernização de processos e o estímulo à pesquisa contribuem para transferência de tecnologia, geração de divisas e qualificação profissional, com reflexos tanto no segmento militar quanto no mercado civil.
O portfólio da indústria inclui aeronaves como o cargueiro KC-390, que integra parte relevante das exportações, além de veículos blindados como o Guarani 6x6, sistemas de radar, armamentos leves, equipamentos cibernéticos e soluções de comunicação segura.
Aeronaves e componentes representam cerca de um terço das vendas externas. Ao todo, o Brasil mantém relações comerciais na área de defesa com cerca de 140 países, abrangendo Europa, Oriente Médio e Américas.
A política integrada que sustenta o setor combina ações de promoção comercial, incentivo à inovação e ajustes regulatórios. A SEPROD e o DEPCOM coordenam missões empresariais e participações em feiras internacionais, enquanto a APEX Brasil apoia empresas brasileiras em eventos no exterior e aproxima compradores e investidores. A ABIMDE atua como representante do setor, contribuindo para articulação entre governo, Forças Armadas, indústria e academia.
O avanço da BID reforça a autonomia tecnológica do país e amplia sua capacidade de desenvolver e manter sistemas estratégicos. A expansão do portfólio e a presença crescente em mercados internacionais indicam continuidade no processo de consolidação do setor, que mantém impacto relevante na economia, na geração de empregos e no desenvolvimento tecnológico.

