Temos todo o direito de nos defender, diz chanceler do Irã após ataque de EUA e Israel

Ministro de Relações Exteriores do Irã, Sayed Abbas Araghchi, declarou que Teerã age em legítima defesa e que possui capacidade para sustentar o confronto pelo tempo que for necessário


Por Leandro Silveira (Broadcast) e Cícero Cotrim (Broadcast) | O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O ministro de Relações Exteriores do Irã, Sayed Abbas Araghchi, afirmou que o país está sob ataque dos Estados Unidos e que responderá militarmente às ações contra seu território. Em entrevista à NBC, o chanceler declarou que Teerã age em legítima defesa e que possui capacidade para sustentar o confronto pelo tempo que for necessário.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Beirute, no Líbano, em janeiro Foto: Joseph Eid/AFP

“Eles estão nos atacando. Instalações militares dos Estados Unidos, bases que estão nos atacando. Estamos sob ataque”, disse. Segundo ele, diante dessa situação, o Irã tem todo o direito de se defender. “E como nos defendemos? Atacamos as bases dos EUA. Isso é óbvio”, afirmou.

Araghchi negou que o Irã tenha iniciado as hostilidades. “Não fomos nós que atacamos os americanos. Estamos apenas nos defendendo”, declarou.

Questionado se os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel teriam destruído bases de mísseis iranianas, o ministro respondeu que não acredita nessa hipótese. “Não creio, porque estamos disparando nossos mísseis praticamente a cada hora”, disse.

Ele acrescentou não ter informações detalhadas sobre eventuais danos. “Apenas uma hora após os ataques dos EUA começamos a lançar mísseis para atingir alvos em Israel e em bases americanas”, acrescentou.

Para o chanceler, a rápida reação demonstra que a capacidade militar do país permanece intacta. “Isso significa que nossa capacidade está lá, temos força suficiente para continuar enquanto for necessário”, afirmou.

No campo diplomático, Araghchi afirmou ter mantido conversas com aliados e países da região. “Tive uma boa conversa com meu colega russo. Também falei com colegas da região, com Turquia, Paquistão, Arábia Saudita, Kuwait, todos os países do Conselho de Cooperação do Golfo”, relatou.

Segundo o ministro, sua missão é encerrar o conflito. “Minha missão como ministro das Relações Exteriores é acabar com esta guerra não provocada contra nós”, declarou. Ele acrescentou que o Irã está “em contato próximo com amigos na Rússia e na China e outros na região” e que está preparado para trabalhar em qualquer ideia que seja justa e razoável" para pôr fim à guerra.

Diversos países árabes condenaram os ataques iranianos - a Arábia Saudita os classificou como uma “violação da sua soberania.”
Araghchi disse que conversou com os ministros da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Iraque. Ele teria informado que o país vai usar “todas as suas capacidades defensivas e militares para garantir a soberania e integridade territorial.”

‘Não temos capacidade de atingir território dos EUA’

O chanceler afirmou que o país não possui capacidade de atingir o território dos Estados Unidos com seus mísseis balísticos. Ele reforçou que Teerã também não deseja atingir os EUA, alegando ausência de hostilidade contra a população americana.

“Não temos nenhuma hostilidade contra o povo dos Estados Unidos, nem contra os europeus”, afirmou. De acordo com o chanceler, o programa de mísseis foi desenvolvido “para nos defendermos contra nossos inimigos” e representa “o meio de defesa mais confiável para nós”.

Araghchi também disse que o Irã não pode abrir mão desse arsenal. “Obviamente, não podemos comprometer nossos mísseis, porque nossa segurança depende deles”, declarou. Ele acrescentou que, quanto maior a pressão internacional para o desarmamento, maior a convicção de Teerã de que precisa manter essa capacidade. “Nossos mísseis têm natureza defensiva, são para dissuasão. São apenas para dissuasão e defesa. Não são para agressão”, disse

Aviso

Araghchi também afirmou que países do Oriente Médio têm a responsabilidade de impedir que seus territórios sejam utilizados pelos Estados Unidos e por Israel para a realização de ataques contra o Irã, sob risco de serem considerados alvos legítimos.

Ele citou que todos os Estados da região têm responsabilidade de impedir que os Estados Unidos e o regime sionista utilizem suas instalações e territórios para realizar operações contra o Irã. O chanceler destacou que as Forças Armadas iranianas “considerarão a origem e a fonte das operações”, assim como “qualquer ação destinada a confrontar as operações defensivas do Irã, como alvos legítimos”.

Araghchi também afirmou que a guerra “não é apenas contra a nação iraniana, mas contra todos os países da região”. “Todas as nações muçulmanas e governos regionais têm uma responsabilidade histórica de agir”, comentou.
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