Medalha militar para sindicato ganha apoio após operários salvarem a Avibras, evitarem venda externa e garantirem R$ 230 milhões

Acordo histórico encerra crise da Avibras, assegura pagamento milionário e leva sindicato a buscar reconhecimento militar sem precedentes


Robson Augusto | Sociedade Militar

O cenário da indústria de defesa brasileira mudou drasticamente nessa semana. Após uma das greves mais longas da história do país, exatos 1.280 dias de resistência, os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial aprovaram, por unanimidade, um acordo histórico que garante o pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas e a retomada imediata da produção.

Sindicato pode receber condecoração militar - Imagem ilustrativa em artigo sobre a AVIBRAS

Diante desse feito, que evitou o colapso de um patrimônio tecnológico da União, cresce o movimento popular para que o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos receba a Ordem do Mérito Militar, uma honraria inédita para uma entidade sindical no Brasil.

O Acordo de R$ 230 Milhões: O que foi decidido?

A assembleia realizada no último dia 11 de março de 2026 selou o destino da “Nova Avibras”, tirando a empresa de um longo período de incertezas. Os pontos centrais da vitória incluem o pagamento integral de cerca de R$ 230 milhões em salários e direitos acumulados ao longo da crise. O valor será quitado por meio de um plano de parcelamento que varia de 12 a 48 vezes, dependendo da faixa salarial.

Ao todo, cerca de 1.400 pessoas têm valores a receber. O processo de reestruturação prevê que os 850 trabalhadores remanescentes sejam desligados formalmente com todas as verbas garantidas, seguidos por 450 recontratações imediatas para a retomada das atividades entre março e abril.

“O Estado falhou, o trabalhador salvou a soberania”

Para o Comandante Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha e defensor ferrenho da autonomia tecnológica, o desfecho é uma lição de patriotismo vinda do chão de fábrica. Ele destaca que a sobrevivência da empresa foi garantida pela “barulheira” e pressão constante.

“A Avibras é uma joia da coroa da tecnologia brasileira. Se ela não fechou as portas e não foi entregue a preço de banana para grupos estrangeiros que só queriam suas patentes, foi porque o Sindicato e os trabalhadores ficaram na porta da fábrica garantindo que nenhuma máquina saísse de lá”, afirma Farinazzo.

Weller Gonçalves, presidente do Sindicato, reforça a dureza da jornada: “Esta é uma assembleia histórica. Foram mais de 30 meses sem salário e sem o suporte do Estado. O Sindicato organizou uma luta que também deveria ser do governo federal, estadual e municipal, mas em nenhum momento tivemos esse apoio. Cada um desses lutadores merece o reconhecimento pela força e resistência”.

Decisão Judicial e a “Nova Avibras”

A vitória foi consolidada após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitar, no dia 10 de março de 2026, recursos de credores financeiros que tentavam anular o plano de recuperação. Essa decisão blindou a reestruturação da empresa que já havia sido homologada pela Justiça em 25 de julho de 2025, data em que o antigo proprietário, João Brasil Carvalho Leite, foi de fato destituído e 99% das ações foram transferidas para o fundo Brasil Crédito.

Com a segurança jurídica mantida, garante-se que a tecnologia do sistema de mísseis Astros II e o polo de desenvolvimento aeroespacial permaneçam sob gestão nacional.

Mobilização: A caminho de Brasília

A petição para que o Sindicato dos Metalúrgicos receba a medalha militar, o que, caso ocorra, será uma situação inédita no Brasil – já ultrapassou os 5.000 apoios e mira os 30.000. O objetivo, segundo apurado pela Revista Sociedade Militar, é levar uma caravana à capital federal e protocolar o pedido no Palácio do Planalto, fundamentado no Decreto nº 3.522/2000, que permite a concessão da Ordem do Mérito Militar a instituições civis por serviços relevantes ao Exército.

No portal que hospeda o abaixo assinado é possível perceber dezenas de comentários em apoio à iniciativa, vários deles exaltam o nacionalismo e a necessidade de desenvolver uma indústria de defesa plenamente nacional.

A petição está disponível no portal CHANGE

Ao impedir o desmonte da Avibras, o Sindicato garantiu que o Brasil não perdesse sua autonomia bélica e seu principal fornecedor de artilharia de foguetes.
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