Presidente brasileiro conversou com americano por telefone e vai a Washington em fevereiro. Itamaraty ainda não respondeu a convite para se juntar a órgão criado pela Casa Branca.
Deutsch Welle
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta segunda-feira (26/01) por telefone com o seu homólogo americano, Donald Trump , segundo comunicado do Itamaraty. Na ligação de 50 minutos, o brasileiro pediu que o Conselho de Paz proposto pela Casa Branca se limite a tratar de Gaza, e não de outras zonas de conflito, e preveja um assento também para os palestinos, que até agora não receberam convite.
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| Telefonema entre os dois presidentes durou 50 minutos | Pablo Porciuncula/AFP/Getty Images |
O Brasil ainda não respondeu se participará do órgão idealizado por Trump, que foi lançado este mês no Fórum Econômico Mundial sem aliados-chave dos EUA.
A proposta original de Trump foi inicialmente aprovada em resolução pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para exclusivamente supervisionar a paz e a reconstrução na Faixa de Gaza.
A carta de fundação do conselho, entretanto, indicou que as ambições do presidente americano iam além. Sem mencionar Gaza, o documento previa que o órgão assumisse atribuições que hoje são da ONU, inclusive "promover estabilidade, restaurar uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura" em regiões "afetadas ou ameaçadas por conflitos" ao redor do mundo.
Lula vai a Washington
De acordo com o Itamaraty, Lula também usou a conversa para reiterar "a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança".Esta é uma proposta defendida desde 2003 pelo Brasil, que quer um lugar para si no órgão. Na visão do governo, a iniciativa de Trump tende a reduzir este debate e vai na contramão dos seus esforços.
Os dois presidentes concordaram ainda com uma visita de Lula a Washington para fevereiro. No ano passado, o encontro de Lula com Trump na Malásia foi lido como vitória para o presidente brasileiro, uma vez que serviu para aliviar a distensão nas relações diplomáticas e abrir o caminho para o alívio das tarifas para o Brasil .
Outro ponto sensível na relação entre Brasil e EUA é a Venezuela, sobretudo desde a captura do presidente Nicolás Maduro por agentes americanos. Lula "ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano," disse o comunicado de Brasília.
Outros temas discutidos na conversa entre os presidentes incluíram indicadores econômicos, o fim das tarifas sobre produtos brasileiros e o combate ao crime organizado.
Brasil sinaliza negativa a Trump
Um antigo aliado dos palestinos, Lula chefia um dentre vários governos que hesitam em aceitar ou negar o convite de Trump. Os sinais emitidos pelo presidente, entretanto, indicam uma possível resposta negativa.O Brasil não compareceu ao evento de inauguração do Conselho de Paz em Davos. Depois, na última sexta-feira, ele afirmou que a Carta da ONU — que forma a base do direito internacional — está sendo "rasgada" e que a "lei do mais forte" passou a dominar as relações internacionais.
Segundo Lula, Trump tenta "criar uma nova ONU" sob controle exclusivo dos EUA. O risco de que um eventual conselho com poderes amplos e longevos para Trump rivalizasse com as Nações Unidas é ventilado também por especialistas.
Por ora, os países que disseram que vão se juntar ao Conselho de Paz incluem Israel, Argentina, Paraguai, Hungria, Egito, Arábia Saudita, Turquia e Emirados Árabes Unidos (EAU).
Por outro lado, já negaram o convite Canadá, França, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Itália, Grécia, Suécia, Eslovênia e Ucrânia.
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