Novo porta-aviões USS John F. Kennedy inicia testes no mar e avança para entrega após anos de atrasos

O porta-aviões USS John F. Kennedy (CVN-79), segundo navio da moderna classe Ford da Marinha dos Estados Unidos, deu um passo decisivo em seu longo e complexo processo de construção ao sair pela primeira vez para o mar a partir do estaleiro da Huntington Ingalls Industries (HII), em Newport News, na Virgínia.


Por Fernando Valduga | Cavok

A movimentação marca o início dos chamados “builder’s trials”, os testes de mar conduzidos pelo construtor, nos quais sistemas essenciais do navio são avaliados em condições operacionais reais pela primeira vez.

USS John F. Kennedy

Durante essa fase inicial, o John F. Kennedy passa por uma série de verificações que envolvem propulsão, geração e distribuição de energia, navegação, sensores, comunicações e integração de sistemas. Segundo o estaleiro, trata-se de um momento crítico, pois muitos desses equipamentos só podem ser plenamente testados quando o navio está em movimento e operando de forma integrada, algo impossível de reproduzir completamente em terra. A expectativa é que os dados coletados permitam ajustes finos antes das avaliações formais conduzidas posteriormente pela própria Marinha dos EUA.

A saída para o mar ocorre após anos de atrasos acumulados desde o início da construção do CVN-79. Atualmente, o cronograma oficial prevê a entrega do porta-aviões à Marinha em março de 2027, um prazo que reflete mudanças importantes no escopo do projeto e desafios técnicos recorrentes.

Em 2020, a Marinha decidiu abandonar um plano de entrega em duas fases e optou por uma incorporação em etapa única, o que adicionou cerca de dois anos de trabalho ao contrato de projeto detalhado e construção, conforme documentos orçamentários do Departamento de Guerra dos EUA.

Entre as principais modificações realizadas durante a construção está a decisão de integrar desde o início a capacidade de operar o caça embarcado de quinta geração F-35C Lightning II, em vez de realizar essa adaptação posteriormente. O navio também recebeu o novo Enterprise Air Surveillance Radar (EASR), baseado na família AN/SPY-6, que amplia significativamente as capacidades de vigilância aérea e integração com o grupo aéreo embarcado. Embora essas melhorias aumentem a prontidão operacional do porta-aviões, elas também elevaram a complexidade do processo de integração e testes.

Os maiores desafios continuam relacionados a dois sistemas inéditos da classe Ford: o Advanced Arresting Gear (AAG), responsável por desacelerar as aeronaves durante os pousos a bordo, e os Advanced Weapons Elevators (AWE), elevadores eletromagnéticos projetados para transportar armamentos entre os conveses internos e o convés de voo.

Problemas semelhantes já haviam impactado o navio líder da classe, o USS Gerald R. Ford, e exigiram extensos ajustes e certificações adicionais. Orçamentos navais mais recentes indicam que a necessidade de concluir a certificação completa desses sistemas foi um dos principais fatores para o adiamento da entrega do CVN-79 de 2025 para 2027.

Apesar dos atrasos, autoridades do estaleiro e da Marinha demonstram cauteloso otimismo. No final de 2025, executivos da Newport News Shipbuilding afirmaram que o John F. Kennedy poderia alcançar a aceitação preliminar em meados de 2026, desde que os testes no mar confirmem a maturidade dos sistemas críticos.

A primeira saída para os builder’s trials é vista como um sinal concreto de avanço físico do navio e de que etapas-chave de montagem e integração foram superadas.

O progresso do USS John F. Kennedy também tem implicações mais amplas para a frota norte-americana. A Marinha dos EUA precisa administrar cuidadosamente sua força de porta-aviões, já que atrasos na entrega de novas unidades podem criar períodos de menor disponibilidade operacional.

A experiência acumulada com o CVN-78 e o CVN-79 será fundamental para reduzir riscos e prazos nas próximas unidades da classe, como o USS Enterprise (CVN-80) e o USS Doris Miller (CVN-81).

Para a Marinha dos EUA e para a indústria naval, o desempenho do USS John F. Kennedy nesta fase será determinante para confirmar se o cronograma revisado, com entrega prevista para março de 2027, poderá finalmente ser cumprido.
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